Areia histórica e cultural

Casarão José Rufino, primeiro sobrado construído em Areias

Cidade acolhedora, com um centro histórico colorido das suas construções preservadas, Areia é um local, de grande valor histórico e cultural e os habitantes têm orgulho de dois filhos ilustres.

Foi ali que o pintor Pedro Américo produziu suas principais obras e José Américo de Almeida (que não era seu parente) escreveu a sua obra mais importante, o romance A Bagaceira, de 1928, que inovou no romance brasileiro.

A igreja mais antiga da cidade é a do Rosário dos Homens Pretos, de 1886, construída para os negros, que não podiam frequentar as igrejas dos brancos.

O Casarão José Rufino, primeiro sobrado construído em Areias, em 1818, hoje é o museu da cidade e centro cultural, mas foi usado como senzala urbana, onde os cativos vindos das fazendas permaneciam aguardando o leilão. Permaneciam em celas de menos de quatro metros quadrados com 12 homens amontoados em cada uma. Os cubículos davam para um pequeno pátio, onde havia um pelourinho para que fossem chicoteados enquanto aguardavam para serem oferecidos na Feira de Escravos. Areia tinha a maior feira de escravos do Nordeste e ali se reuniam senhores de engenho de várias cidades e estados em busca de mão de obra escrava. Era muito concorrida e os cativos eram arrematados por altos preços. O historiador Horácio de Almeida, em seu livro O Brejo de Areia, revela que um senhor chegou a pagar a um escravo o equivalente a 40 cabeças de gado.

A construção permanece preservada, onde funciona o museu com peças, moveis e utensílios usados na época. A construção colonial era decorada não apenas com eira e beira, como muitas casas de pessoas de posse, mas também com tribeira e sobreira.

Eira era a área interna da propriedade, de terra batida ou cimento usada para secagem de grãos. Beira é a parte avançada do telhado, que indicava que seu proprietário era um homem de posses. Tribeira é um segundo avanço do telhado, que indicava ainda maior poder econômico e finalmente a sombreira era sinal de que o dono da propriedade vivia na “sombra e água fresca”. Esses indicadores nem sempre ficavam na frente da casa, que era sinal de ostentação; muitas vezes ficavam na parte de trás da casa, uma forma de não revelar a posse e sonegar impostos.

A capital paraibana da cachaça poderia também ser chamada de capital do acolhimento. É uma aventura etílica, histórica e muito prazerosa.