Parque busca adesão de ONGs de resgate de animais. Diretor diz que os animais do Sea World são felizes e “escolhem trabalhar”

Em visita de dez dias pelo Brasil nesta semana, o diretor do fundo de conservação Sea World Bush Gardens, Roy Yordi, conheceu pessoalmente instituições de preservação de animais (Gremar, Ipram, Ampa) e anunciou que a empresa busca ampliar parcerias com ONGs brasileiras. “Podemos ajudar mais, temos dinheiro, conhecimento técnico e experiência de mais de 50 anos para compartilhar”, diz Yordi.

Em contrapartida, o turista precisa comprar aqui no Brasil produtos dos parques da rede (12 ao total) dos Estados Unidos, por meio de operadoras e agências de viagem. A cada compra feita aqui, a promessa é de dois dólares destinados à ONGs nacionais previamente selecionadas. Os ingressos não entram nessa conta, e nem todos os produtos fazem parte desse programa batizado de “Curtir e Preservar”. Instituições interessadas devem se inscrever no site da empresa e terão  o trabalho avaliado por uma comissão técnica.

O projeto Tamar foi o primeiro brasileiro a receber recursos desse programa específico.

Mas há ainda outro fundo de conservação regular – não vinculado às compras – que existe desde 2013. “Nesses anos, ao todo, já doamos 370 mil dólares para entidades brasileiras como o Programa de Preservação Tatus Gigantes do Pantanal.” O dinheiro vem de 40% de doações e 60% da empresa que gerencia os parques. Em média, 1 milhão de dólares por ano divididos entre 50 instituições pelo mundo.

Rob Yordi durante apresentação de campanha “Curtir e Preservar”

Essa não é a primeira vez que o Sea World se apresenta como grande salvador de animais silvestres. Com famosos shows de baleias e golfinhos rodopiando no ar, o parque aquático mais famoso do mundo ainda luta para se desgrudar da fama de ser cruel com os bichos.

A crise de imagem se instalou em 2013, a partir do lançamento do documentário “Black Fish” que denunciava o que seriam maus tratos nos bastidores do Seaworld, a partir da história da baleia Tilikum, que matou a treinadora. Coincidência ou não, foi o mesmo ano em que o fundo de conservação dos parques foi criado. “Aquilo é fake news (notícia falsa) e inconsistência de informações”, rebate o diretor do fundo sobre o filme. Mas Roy Yordi reconhece que algum estrago foi feito nos negócios. Afirma que houve queda nas visitações no início e que até  hoje parte dos turistas em Orlando não quer participar da atração. Ainda assim, os números do Sea World Parks & Entertainment são expressivos: 21 milhões de visitantes por ano.

Yordi reconhece que desde então os parques da empresa, em especial os aquáticos, mudaram a forma de se apresentar ao público. Segundo ele, em parte por força da legislação mais severa nos Estados Unidos, em parte pela força do ativismo dos defensores dos animais. E ressalta que o objetivo da divulgação de ajuda financeira não é para desfazer qualquer imagem de abuso: “Não é propaganda. Fazemos porque é o certo”, afirma ele, “nossa missão é resgatar e devolver animais para natureza”. O Sea World de Orlando afirma que já resgatou 10.233 animais doentes, órfãos e feridos, mas não soube precisar até o fechamento dessa matéria quantos foram reintroduzidos à vida selvagem.

Quando questionado se um animal que faz show não estaria apto a voltar para natureza, Yordi responde que muitos nunca poderão retornar ou morreriam, mas que mesmo aqueles liberados, voltam por iniciativa própria aos tanques. “Os nossos animais são saudáveis, estão felizes com o que fazem, satisfeitos com suas rotinas, nós não dizemos o que eles têm de fazer,  é escolha deles trabalhar com a gente”.

Sabrina Pires, especial para o ECOinforme