Redes matam um milhão de animais marinhos

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Acervo VIVA

Pesca acidental e redes fantasmas são responsáveis por 40% da matança de animais marinhos

A captura acidental de peixes e outros animais marinhos é hoje a maior ameaça aos mamíferos aquáticos no mundo. O impacto das redes de pesca na fauna marinha é aterrorizador. Estima-se que 40% de toda a pesca nos oceanos – incluindo aí baleias, golfinhos, focas, tartarugas, raias, tubarões, aves marinhas, peixes e invertebrados – é feita de forma acidental e em seguida os animais são descartados.

A pesca acidental ocorre de duas formas principais: a primeira é aquela em que os pescadores capturam espécies não planejadas e em seguida as descartam. Isso ocorre com muita intensidade na pesca de camarão, onde já foi registrado descartes de até 20 quilos de pescado para cada quilo de camarão aproveitado.

A outra forma que cada vez mais impacta na morte de animais nos oceanos é a rede descartada, em alto mar e nas praias, e que se transformam em armadilhas mortais para os animais marinhos.

Nada menos do que 640 mil toneladas de petrechos de pesca são perdidas ou abandonadas no mar todos os anos, passando a ser chamadas de redes fantasmas.

Os chamados emalhes (enrosco nas redes) são uma das piores formas de mortalidade causada aos animais selvagens. Alguns animais, como tartarugas, podem morrer afogados, pois uma vez presos não conseguem subir à superfície para respirar. Outros não conseguem se alimentar adequadamente e morrem de fome e animais maiores, como as baleias, sofrem com uma espécie de tortura, por carregarem redes e tralhas de pescaria onde se enroscaram pelo resto da vida.

Os números são assustadores: estima-se que 300 mil baleias e golfinhos morram anualmente em redes de pesca, assim como 100 mil tartarugas são capturadas em artefatos pesqueiros.

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Até aves (e não são poucas: 300 mil por ano!) morrem por bycatch, com destaque para o albatroz (100 mil por ano: um a cada 5 minutos).

A Toninha, uma espécie de golfinho, que ocorre nas águas do sudeste-sul do Brasil até a região norte da Peninsula Valdes na Argentina, está criticamente em perigo de extinção, por causa da pesca acidental, que é conhecida como bycatch.

Outras 23 espécies de cetáceos também estão ameaçadas pelo bycatch ao redor do mundo.

Muitas são as formas de mortes de animais no Oceano e várias são as ações em defesa da fauna aquática, como o trabalho feito na APA Costa dos Corais, em Pernambuco e Alagoas, com o apoio da Fundação Toyota do Brasil. Mas o impacto das redes de pesca na destruição da vida marinha tem chamado a atenção de governos, organizações, ambientalistas e população da costa nos últimos tempos.

A Ong Viva Baleias, Golfinhos e Cia realizou em dezembro último, em Santos, o “Dia Internacional Pare a Captura Acidental” com o objetivo de conscientizar especialistas, estudantes, pescadores, órgãos públicos, políticos e a população em geral sobre o grande impacto que os animais marinhos sofrem com a captura acidental.

A problemática foi apresentada em congresso Latino Americano no final do ano passado, no Peru, pelos representes da organização brasileira.

Marina Leite, especial para o ECOinforme