Produção de orgânicos cresce 20% ao ano

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Noroeste paulista é exemplo de plantação sem veneno

Quando se fala em produto orgânico, a primeira coisa que vem na cabeça do consumidor é o preço. Realmente os orgânicos custam mais caro, pela dificuldade da sua logística e o baixo investimento que é feito no setor. Um produto orgânico não pode ser transportado junto com o alimento convencional, o que encarece o produto, já que a quase totalidade da produção é feita por agricultura familiar, sem grandes estruturas.

Mas quem está envolvido neste setor mostra otimismo, já que o Brasil está atrás de muitos países no consumo de orgânicos e por isso há espaço de sobra para crescer. Para se ter uma ideia, o País exporta metade do que produz. Isto demonstra que o consumidor lá de fora é muito mais exigente do que o brasileiro. Mas a situação está mudando: só para efeito de ilustração, em 1991, a primeira feira de orgânicos realizada no Parque da Água Branca em São Paulo, tinha apenas 11 produtores, hoje são mais de 300 e o evento recebe mais de cinco mil pessoas por mês a procura de alimento mais saudável.

A região noroeste do Estado de São Paulo é um exemplo de como a produção de alimentos orgânicos está crescendo. São pequenos produtores que procuraram facilitar o acesso de produtos saudáveis ao consumidor. Com isso os preços vão ficando mais próximos aos dos alimentos convencionais, produzidos com veneno. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Brasileiro de Produção Orgânica Sustentável – Organis, mostra que 62% dos entrevistados consumiriam mais os produtos orgânicos se os preços fossem mais acessíveis.

O Organis acompanha o crescimento do setor e mostra que, desde 2015, cresceu 25%. No ano passado o setor faturou cerca de R$ 4 bilhões. Para este ano o crescimento deve ficar entre perto de 20%. A previsão é que este crescimento continue nos próximos anos.

Em Ipiguá, cidade próxima a São José do Rio Preto, no interior paulista, há um exemplo claro sobre este crescimento. Ceci Bonito e o marido Reinaldo começaram a aprender como se planta sem veneno e criaram a Horta Mandalla. Foi um sucesso. Depois de alguns anos encontraram um parceiro e hoje cuidam de outra horta com dez mil metros quadrados, entregando a sua produção em domicílio para clientes das cidades vizinhas. A Horta Mandalla agora tem como prioridade ervas e Pancs (Plantas Alimentícias não Convencionais).

Em todos os anos é possível participar de cursos que duram quase um ano, sobre orgânicos. No Sítio Solo Rico, onde está a horta de Ceci, já está programado para março o curso de tomate orgânico. Em Cardoso, que fica 120 km de São José do Rio Preto, também acontecerá o mesmo curso. Logo ao lado de Cardoso, em Mira Estrela, será realizado o curso de olericultura (horta orgânica). Tudo de graça para quem participar. São cursos práticos, onde os participantes fazem tudo, desde a formação dos canteiros, o preparo das mudas, o plantio e a colheita.

Os produtos orgânicos ainda estão concentrados nas hortaliças. A produção de frutas por enquanto é incipiente. Na região entre Fernandópolis e Jales há um grande crescimento de orgânicos, mas em Jales, onde a produção convencional de frutas é um grande destaque, quase não se vê plantações orgânicas. Mas, Ceci Bonito afirma que “estamos começando a plantar mamão e banana, e em breve vamos tentar produzir citros”. É um desafio, mas estão todos confiantes.

Os pequenos produtores de orgânicos normalmente fazem as entregas em domicílio com visitas semanais ou mediante pedidos através de sites ou watsapp. Além de verduras e legumes, também incluem em seus pacotes ovos caipira, com galinhas alimentadas com os restos da horta. Apesar do ovo caipira custar quase o dobro do de granja, existe uma clientela cada vez maior consumindo o produto. O ovo caipira custa entre R$ 6,00 e R$ 8,00.

O crescimento de produtores orgânicos deve-se muito ao Senar – Serviço de Aprendizagem Rural, criado em 1991 e é uma entidade de direito privado, paraestatal, mantida pela classe patronal rural, vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA e administrada por um Conselho Deliberativo tripartite. Integrante do chamado Sistema S, tem como função cumprir a missão estabelecida pelo seu Conselho Deliberativo, composto por representantes do governo federal e das classes trabalhadora e patronal rural. É através do Senar que os cursos são realizados.

Os cursos são financiados pelo Senar, com a participação dos sindicatos rurais das cidades e só com este apoio é possível a realização dos projetos de plantações de orgânicos. Para que sejam efetivados, um produtor rural cede a sua propriedade para que as aulas sejam realizadas.

José Carlos Pontes (texto) e Rosi Caires (otos) especial para o ECOinforme