ONG cria observatório e desenvolve pesquisa de cetáceos no litoral norte paulista

Baleia Jubarte / Marina Leite / VIVA Instituto Verde azul

Quase três milhões de baleias foram mortas por causa da caça comercial no século passado, dizimando populações inteiras de várias espécies do Hemisfério Sul.

Foi um período obscuro. Estudos estimam que a população brasileira de baleia-jubarte original continha cerca de 300 mil baleias, número que foi reduzido a apenas mil no ano de 1986, quando a caça foi proibida mundialmente, com toda a população concentrada no arquipélago de Abrolhos, no Oceano Atlântico distante 65 km do litoral da Bahia.

Nesses 34 anos de proteção, a população brasileira de baleia-jubarte se recuperou de tal forma que hoje podemos estimar a existência de 20 mil indivíduos frequentando antigas áreas de ocupação, como a região de Ilhabela e São Sebastião, onde a ONG Viva Instituto Verde Azul avista os animais durante o outono e o inverno, chamando atenção das pessoas, encantando e emocionando com seus movimentos dóceis e comportamentos aéreos, sequência de saltos, batidas de caudal, peitoral e incríveis aproximações às embarcações.

Em 2019 a organização iniciou um projeto piloto na região sul de Ilhabela, onde desenvolve um trabalho de pesquisa a partir de um observatório instalado a 110 metros acima do nível do mar, no Bairro de Borrifos, de onde as pesquisadoras monitoram as diferentes espécies de cetáceos que ocorrem na região.

Em três anos de estudos as biólogas já registraram em 2.106 horas de amostragem pelo menos quatro espécies de baleias e sete espécies de golfinhos.

“Podemos dizer que essa região é um hot-spot – diz Maria Emilia Morete, diretora da ONG -, os cetáceos são avistados bem próximos à região costeira e por fazerem parte da fauna cativante, são considerados espécies guarda-chuva, de forma que, com os esforços de conservação desses animais, indiretamente conservamos a fauna e o habitat onde ocorrem”.

Os cetáceos têm enfrentado ameaças causadas pelas atividades humanas, degradação de habitat devido a poluição química, sonora, lixo, resíduo plástico no oceano, turismo desordenado, atropelamento, mudanças climáticas, sobrepesca e a captura acidental em petrechos de pesca que é considerada a maior ameaça aos animais marinhos.

Estima-se que 300 mil baleias e golfinhos são afetados pelas atividades pesqueiras a cada ano. Um dos grandes objetivos é chamar atenção da comunidade para esse impacto tão grave. Por isso o Viva criou em 2018 o Dia Internacional Pare a Captura Acidental, reunindo anualmente instituições e vários setores da comunidade.

A cidade de Ilhabela está desenvolvendo atividades turísticas para observar baleias e golfinhos, o que pode trazer benefícios econômicos para toda comunidade. Turistas e moradores passaram a entender a importância da presença desses animais para a região e a colaboram com as ações de preservação ambiental.

Em 2021, o Viva iniciou um trabalho voluntário nas escolas municipais de Ilhabela. No total, 892 crianças participaram de atividades lúdicas sobre as baleias e golfinhos. E 126 professores, coordenadores e diretores receberam palestras abordando temas sobre biologia, morfologia, curiosidades e sobre os impactos que esses animais sofrem devido as atividades humanas.

Mais recentemente foi feita uma parceria com a Secretaria de Educação de Ilhabela para desenvolver atividades em todas as escolas municipais de Ensino Fundamental, atingindo cinco mil alunos e 323 professores.

A ONG oferece bolsas de estudo para estudantes de graduação e pós-graduação das áreas de biológicas, que desenvolvem pesquisas com cetáceos.

 

VIVA Instituto Verde Azul