Peixe de arame come plástico em Santos

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Estrutura de quatro metros de altura “engole” até mil garrafas pet no Boqueirão

Quem diria que um peixe cheio de plástico na barriga seria positivo? Mas foi isso que uma Ong de Santos conseguiu fazer: transformar uma situação que mata animais marinhos em um jeito criativo de promover educação ambiental.

“As pessoas deixam seus resíduos na praia esquecendo que é obrigação delas levar de volta e os oceanos sofrem cheios de plásticos. Então pensamos no peixe para trazer consciência”, explica Marcelo Adriano da Silva, diretor presidente da Ong Sem Fronteiras e criador do peixe.

A estrutura de quatro metros de altura por dois metros de largura tem a função também de ser um ponto de recebimento de material reciclável. Com a venda e reutilização da matéria prima, a instituição gera trabalho e renda para cerca de 60 pessoas em vulnerabilidade social, principalmente moradores de rua e dependentes químicos.

O peixe de metal foi colocado na praia no último fim-de-semana e vai ficar exposto na areia do Boqueirão de Santos até o final da temporada.  Os trabalhadores da Ong passam todos os dias ao anoitecer para recolher o que foi depositado pelos banhistas. Esta é a primeira vez que a Prefeitura de Santos fecha parceria com uma organização não-governamental para recolher especificamente material reciclável na faixa de areia.

Embora o peixe receba somente garrafas pet, o Projeto Reciclar coleta também papel, metal, isopor, vidro e óleo de cozinha. “É tanto lixo na praia que em meia hora saímos com o caminhão cheio”, conta Adriano.

“O poder público muitas vezes faz a parte dele e nós não fazemos a nossa, então o peixe é pra lembrar que temos que fazer o descarte correto (do nosso lixo)”.

A expectativa da Ong é que outras cidades do litoral também adotem o peixe como símbolo da campanha de conscientização da coleta seletiva. Após a temporada de verão, a estrutura será retirada da praia

“Gostaríamos que (o peixe) fosse para outro lugar com grande fluxo de pessoas para que chame a atenção. Quem sabe nas praças públicas? Às vezes, as pessoas querem descartar corretamente e no caminho não acham onde”, conclui Adriano.

Por Sabrina Pires, especial para o ECOinforme