Foto: Érico Hiller

Enquanto o mundo inteiro se concentra em um desafio comum, todas as outras crises seguem seu trajeto ainda mais sorrateiras. A falta de água limpa, o HIV, a TB mais potente, para citar algumas.

Trabalhei recentemente na Índia e na África, e também não consigo parar de pensar no impacto que o coronavírus possa ter em cidades com acesso limitado à água limpa e casas com muitos moradores de gerações diferentes compartilhando espaços pequenos.

Sem falar na fome, na falta de leitos em hospitais, na economia estagnada, etc. Ainda assim, acredite, enxergo algo sublime adiante. Vejo um respiro de luz e justiça lá na frente. Pela primeira vez na minha vida, vejo todos unidos, sem exceção.

Eu temo que dias terríveis estejam por vir. Sim. Mas acredito que o melhor de cada um de nós prevalecerá. Hoje eu gostaria de fazer aqui uma homenagem àqueles que não possuem água nas torneiras de casa, e que com quarentena ou não, precisam sair e caminhar, entrar em uma fila pra poder pegar água em um buraco ou uma bomba de subsolo para não morrer de sede.

Neste 22 de março, dia mundial da água, meu pensamento está com eles. Fiquem bem, vamos usar este confinamento para um bem maior. Fiquem juntos, mesmo se separados.

Por Érico Hiller

Publicado na National Geographic