Desmatamento aumenta 30%; PV quer explicação de Ricardo Salles sobre as barbaridades que disse na reunião de ministros

Nada menos do que 14.502 hectares de florestas foram destruídos no período 2018-2019, 27,2% a mais do que no período anterior (2017-2018), quando foram desflorestados 11.399 hectares

Alguns estados, os mais atingidos pela destruição, tiveram aumento de quase 50% em relação ao período anterior, caso de Minas Gerais, que registrou uma perda de quase cinco mil hectares de floresta nativa. A Bahia ficou em segundo lugar, com 3.532 hectares e o Paraná em terceiro, com 2.767 hectares de florestas perdidos.

As informações, da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), revelam por outro lado que os estados de Alagoas e Rio Grande do Norte conseguiram zerar desflorestamento e quanto outros sete estados estão próximos de zero, são eles: Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Piauí e Santa Catarina tiveram redução do desflorestamento; o Piauí somou 1.558 hectares desmatados e Santa Catarina 710 hectares.

Mario Mantovani, diretor de da SOS Mata Atlântica, lamenta que a ampliação do desmatamento da Mata Atlântica mostra que a destruição do meio ambiente não tem ocorrido apenas na Amazônia. Considera o fato preocupante, já que restam apenas 12,4% da Mata Atlântica, bioma que mais perdeu floresta no país até hoje.

“Ficamos decepcionados porque os desmatamentos seguem nas mesmas regiões. Observamos vários desmatamentos em áreas interioranas e nos limites da Mata Atlântica com o Cerrado em Minas Gerais, na Bahia e no Piauí, além de regiões com araucárias no Paraná”, disse o ambientalista

“Os desmatamentos poderiam ter sido evitados com maior ação do poder público, revolta-se Marcia Hirota, diretora da SOS Mata Atlântica. É lamentável que sigam destruindo nossas florestas naturais, ano após ano”

Como se não bastasse a situação crítica das florestas brasileiras, o próprio ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, joga contra a preservação da natureza. Foi revoltante a sua fala na reunião ministerial do dia 22 de abril, cujo vídeo foi divulgado contra a vontade do presidente Bolsonaro.

Ricardo Salles afirmou que o momento da pandemia era oportuno para que fossem adotadas medidas infralegais e atos normativos que visassem à desburocratização e simplificação de processos ambientais. “Vamos passando a boiada”, bufou o sinistro. Diante da ignomia, deputados do Partido Verde querem convocar o elemento para explicar o seu pronunciamento.

O levantamento do desflorestamento vem sendo feito desde 1989. O estudo teve execução técnica da Arcplan e patrocínio de Bradesco Cartões.