Luana Reis fala do impacto de materiais poluentes encontrados pelos surfistas nas ondas no mar

Uma das promessas do surf feminino nacional, a menina Luana Reis, de 14 anos, moradora de Maresias, São Sebastião, litoral Norte paulista, enfrenta na pele, literalmente, o problema da poluição nos oceanos: assim como grande parte dos surfistas ela sofre de doenças de pele, a micose, provocada pelo contato contínuo com águas do mar, que recebem esgoto doméstico sem tratamento.

Os surfistas costumam se deparar com todo tipo de poluição, como embalagens de produtos lançadas no mar, por isso participam com vigor de ações de limpeza das praias, onde recolheram os mais diferentes tipos de objetos.

Numa das edições do Dia Mundial de Limpeza das Praias, os surfistas de Maresias recolheram 120 quilos de objetos, que foram destinados ao aterro sanitário. Foram 323 tampas plásticas, 4.317 bitucas de cigarro, 69 palitos, 367 canudos, 99 latas de cerveja e refrigerante, 72 garrafas pet, uma boia de pesca, uma placa de sinalização de pesca, dois pares de sapato, uma placa de raio X e três metros de linha de pesca.

“As pessoas precisam entender que o lixo que elas jogam na praia vai prejudicar elas mesmas, pois o material é levado para o mar, polui os oceanos, prejudica o banho de mar e a fauna marinha”, disse Luana, que participou do Dia Mundial de Limpeza das Praias em 2017, quando iniciava sua caminhada como atleta do surf, então com apenas nove anos de idade.

Luana Reis retira do mar uma embalagem de salgadinho que recolheu durante uma manobra nos treinamentos

A Organização das Nações Unidas estabeleceu o período de 2021 a 2030 como a década para o desenvolvimento sustentável da Ciência nos Oceanos, com o objetivo de incrementar pesquisas e programas científicos para o melhor gerenciamento dos mares e zonas costeiras.

A maior parte do lixo marinho tem origem em terra, chegando aos oceanos pelos cursos d’água: são materiais plásticos, filtros de cigarros, vidro, metal, madeira, que prejudicam a natureza, a sociedade e a economia. O pior dos materiais é o plástico, que afeta diretamente a fauna marinha, pois é confundido com alimento e ingerido por animais. O plástico pode levar 500 anos para se decompor e mesmo decomposto oferece perigo à saúde dos animais e dos homens que se alimentam dos peixes e frutos do mar.

Luana Reis está competindo nesta semana a primeira etapa do Circuito Brasileiro de surf, no Espírito Santo, em seguida vai para São Paulo, no Guarujá, competir a segunda etapa do Circuito paulista e na sequência embarca para Pernambuco, onde participará da segunda etapa do Circuito Brasileiro, sempre com o patrocínio da Espaçolaser, Bricoflex, Majipack, Corinthians, Blunt e Fusion.