Bioma é o que mais emite carbono, por causa dos desmatamentos, agricultura e pecuária desordenadas

Típico nos estados do nordeste, centro oeste e sudeste, o cerrado brasileiro é o bioma mais afetado pelo desmatamento. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), cerca de 10 mil quilômetros quadrados estão sendo desmatados por ano, uma quantidade cinco vezes maior do que a área desmatada da Amazônia.

A região ainda é a que mais emite gases de efeito estufa: foram sete bilhões de toneladas nos últimos 30 anos, por causa do desmatamento, da expansão rural e por ter poucas áreas protegidas. Dados do Ibama indicam que 900 multas foram aplicadas por desmatamento no local só em 2018.

Atualmente, 45% da área original é ocupada por pastagens e cultivos agrícolas, enquanto só 7,7% do território tem áreas protegidas, para conservar a vegetação e o habitat dos animais.

O que faz crescer a ambição pelo cerrado é a vegetação de pequeno e médio porte, que pode ser facilmente retirada.

Durante a 24º Conferência das Partes (COP 24), o gerente de economia da biodiversidade do grupo Boticário, André Ferretti, disse que “a exploração desordenada do cerrado prejudica a regulação climática, a preservação da biodiversidade e o equilíbrio hidrológico, já que a região é berço das nascentes das principais bacias hidrográficas do País.”

Ainda de acordo com o Ipam, tem cerca de 25 mil km² de áreas públicas sem categoria fundiária definida, que podem ser alvo de desmatamento irregular e grilagem de terras.

“É importante desenvolver políticas públicas de conservação do cerrado, monitorar o desmatamento e promover incentivos para a agropecuária sustentável e de baixo carbono, visando um manejo equilibrado”, ressaltou o gerente.