Navegação deve ser mais cuidadosa nessa época, quando ocorrem baleais de Jubartes no litoral brasileiro

Dois acidentes com baleias jubartes ocorreram nas últimas semanas no sul da Bahia, encontros dos animais com veleiros, sendo que em um dos casos, ocorrido em Ilheus, o banco foi a pique. Outro acidente, sem maiores consequências, ocorreu na região de Abrolhos. Essas ocorrências estão preocupando a comunidade local.

A bióloga marinha Marina Leite, dedicada ao acompanhamento do comportamento de mamíferos aquáticos no litoral brasileiro, disse ao Portal ECOinforme que encontros com baleias que levam a danos físicos em embarcações são raros, porque esses animais não costumam perseguir embarcações, mas essa época do ano – de junho a setembro – é o pico da temporada em águas rasas, de forma que a navegação precisa estar mais atenta aos borrifos e comportamentos aéreos desses animais, que são sinal da presença na região.

“Como as baleias se comunicam pelo som, uma dica é os bancos manterem uma fonte sonora, através da qual a baleia poderia se orientar em relação a embarcação”, disse a bióloga, destacando que esses animais muitas vezes são curiosos e aproximam bastante, permitindo o contato visual com os turistas e pescadores.

Ela recomenda também navegar em velocidade mais baixa, em áreas de concentração, para evitar atropelamentos e colisões.

Dirigente do Instituo Viva Verde Azul, Marina conta que as baleias foram quase dizimadas durante o século passado. Mas com a proibição da caça, em 1986, e os esforços de pesquisa e conservação, a população vem se recuperando. A população chegou a ter menos de 1.000 indivíduos; hoje estima-se mais de 20.000 jubartes em nossas águas.

“Esses animais encantadores, incríveis e misteriosos estão reocupando antigas áreas de ocorrência, tornando as avistagens e encontros cada vez mais frequentes, não apenas na Bahia, mas também na região Nordeste e Sudeste, como no litoral paulista. Observar baleias jubarte é uma grande emoção! Animais enormes, chegam a ter 16 metros de comprimento e pesar 40 toneladas”, disse.

A jubarte é migratória e a população do Atlântico sul ocidental se alimenta na Antártida nos meses de verão e vem para águas tropicais no inverno, onde se reproduzem e cuidam dos filhotes.

“Infelizmente, com o aumento do número de indivíduos, as possibilidades de encontros aumentaram. É preciso ficar atento para que mais acidentes não aconteçam”, finalizou Marina.