A América já era ocupada quando Cristóvão Colombo chegou por aqui, em 1492. A povoação do continente ocorreu há cerca de dez mil anos, pela travessia do Estreito de Bering, que liga os oceanos Pacífico e Ártico entre a Rússia e o extremo norte da América, no Alasca, e a sete mil anos, as nações americanas já dominavam a agricultura, domesticavam animais, tinham tecnologia nas áreas de engenharia, astronomia, medicina, escrita, artes e matemática. Quando Colombo iniciou a invasão, a América já tinha civilizações organizadas, destacando-se os impérios Maia, Asteca e Inca.

Uma das principais tribos era a civilização inca, que se estendeu pela cordilheira dos Andes; outra era a dos mapuches no sul do Chile e da Argentina, dos quais falamos na nossa expedição Pra lá do Fim do Mundo, em março de 2018. Na parte ocidental, que seria território brasileiro, dezenas de povos ocupavam a área, como os tupis, os tamoios, os tupiniquins e os guaranis, destruídos pela invasão portuguesa.

O Império Inca era uma importante civilização na América antes da invasão espanhola, formada no século XII, dominando várias outras nações indígenas com um total de 700 idiomas e iniciando a formação de um vasto e poderoso império, que passou a reunir centenas de tribos, com uma única língua, o quéchua, e tinha o culto ao deus Sol. Ocupava uma área de quatro milhões de km quadrados nas encostas da cordilheira dos Andes, tinha uma população de 15 milhões de pessoas espalhadas em 200 povos, terras que hoje compreendem o Peru, a Colômbia, o Equador, o oeste da Bolívia, o norte do Chile e o noroeste da Argentina. A capital do Império Inca era a cidade de Cusco, que até hoje guarda fortes traços da cultura inca. Essa extraordinária civilização construiu caminhos pavimentados com pedras e grama para dar expansão ao seu domínio: duas estradas principais, no litoral do Pacífico e nas Cordilheiras, de norte a sul, e vários outras transversais, controladas por soldados com sistema de comunicação com o império Inca, que tinha uma arquitetura desenvolvida, com construção de palácios, templos, fortalezas, pontes, túneis, estradas, canais e aquedutos.

O império Inca tinha uma agricultura desenvolvida, com produção pelo sistema de terraços em enormes degraus, com paredes de pedras, como hoje ainda se vê na cidade perdida de Matchu Pitchu, que ficou imune à invasão até o século XX, quando, em 1912, foi descoberta por um pesquisador estadunidense. Os incas praticavam também a pecuária, com a criação de lhama, alpaca e vicunha e exploravam a pesca.

Cusco mantém até hoje o templo do deus Inti (Sol), para quem eram pedidas boas colheitas.

A invasão espanhola, no início do século XVI, levou o Império Inca à desagregação. Os invasores descobriram que havia uma civilização rica e poderosa, que ocupava montanhas na região onde hoje é o Peru e era possível chegar lá pelo Caminho de Peabiru (o escritor Eduardo Bueno conta essa história em vídeo), uma estrada que sai de três vertentes – Cananéia, São Paulo e Florianópolis – e desembocava no coração do Império Inca.

Francisco Pizarro, explorador espanhol que entrou para a história como o conquistador do Peru, invadiu Cusco em 1533 e executou o imperador Atahualpa. O povo inca resistiu por mais 32 anos, quando Tupac Amaru, seu último líder, foi capturado e esquartejado em Cusco, com um cavalo amarrado em cada membro e partindo em direção contrária.

A ambição dos invasores foi estimulada por indígenas na região da Bacia do Prata, que indicaram um reino rico e poderoso, cercado de montanhas de prata. Eles se referiam a Potosi, a cidade boliviana que pertencia ao Império Inca e que foi saqueada pelos invasores. A quantidade de prata e ouro levada da América para a Europa foi tanta que, segundo escritor Eduardo Bueno, foi responsável pelo salto da economia mercantilista para a economia capitalista na Europa. Para conhecer melhor o saque do minério sul-americano pelos europeus, vale a leitura do clássico Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano.