Vêm aí as propostas para conservação das águas da Mantiqueira

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Foto: Johanes Duarte

 

A pesquisa da biodiversidade que está sendo desenvolvida pelo projeto Águas da Mantiqueira, em Santo Antonio do Pinhal, no Vale do Paraíba, entra em sua fase final de discussão com moradores e representantes das comunidades da Bacia do Rio Preto e os resultados preliminares, assim como os objetivos do projeto de pesquisa, que serão divulgadas em julho.

Desde o ano passado, a equipe do projeto, que tem o apoio da Fundação Toyota do Brasil, fez reuniões com cerca de 270 pessoas de cinco, das dez comunidades contempladas na ação.

O projeto Águas da Mantiqueira visa à conservação das dez bacias hidrográficas de Santo Antonio do Pinhal, região que abriga uma das maiores reservas de águas minerais do Planeta. O objetivo da pesquisa é levantar a biodiversidade da região para promover a conservação por meio de planejamento territorial e do desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável das comunidades.

José Roberto Mana
Foto: Johanes Duarte

José Roberto Manna, coordenador do projeto pela Fundespag (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio), parceira da Fundação Toyota do Brasil nessa empreitada, diz que a participação da população nas discussões é fundamental para o sucesso do projeto:

“Nosso objetivo é dar poder à comunidade, para auxiliar a prefeitura com informações importantes para o desenvolvimento do trabalho diário do município”.

O coordenador explicou que a prefeitura pode direcionar o planejamento territorial, respeitando as características ecológicas das áreas naturais do município, que é fundamental para a conservação da biodiversidade e a continuidade do abastecimento de milhões de pessoas que dependem das águas da Mantiqueira.

Várias cidades e regiões são alimentadas com as águas da Mantiqueira. Só em São Paulo, cinco milhões de pessoas são abastecidas  diariamente pelo Sistema Cantareira, que recebe águas da serra.

Outras cidades beneficiadas são Sorocaba, São José dos Campos e a região metropolitana do Rio de Janeiro.

O Rio Paraíba do Sul não nasce na Mantiqueira, mas ao passar pela região aumenta o seu volume d´água e segue vale abaixo, para abastecer a região metropolitana do Rio de Janeiro.

Ameaçadas

Sueli Nicolau, secretaria de Meio Ambiente de Santo Antônio do Pinhal e responsável pelo capítulo de flora do projeto Águas da Mantiqueira, diz que existem na região espécies de flora ameaçadas de extinção que ainda sobrevivem nos remanescentes de Mata Atlântica no município, como o xaxim-verdadeiro, o cedro a e a canela-sassafrás.

O xaxim-verdadeiro (Dicksonia sellowiana Hook) é um tipo de samambaia, que ocorre em áreas próximas a curso d’água, pois é totalmente dependente da umidade do solo. Essa planta pode chegar a 200 anos. Como está em áreas de desmatamento, a diminuição na qualidade do hábitat reduz a variabilidade genética das subpopulações, por isso é uma espécie ameaçada de extinção. É classificada como “em perigo” (EM de extinção.

A canela-sassafrás (Ocotea odorifera Vell. Rohwer), é muito explorada por sua madeira de alta qualidade para uso em construção civil e também para a extração de óleo muito apreciado. É usada também na fabricação de toneis para envelhecimento de cachaça. A diminuição dos agentes polinizadores é um dos fatores que reduzem a reprodução da espécie, além da podridão de sementes por fungos. A canela-sassafrás também é classificada como “em perigo” de extinção.

O cedro (Cedrela fissilis Vell.) é amplamente explorado por ser umas das madeiras mais apreciadas; tem uma coloração escura, semelhante à do mogno e é muito valorizada no mercado madeireiro. É considerada ameaçada de extinção com o status de  “Vulnerável” (VU).