Uma visita às águas da Mantiqueira

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O Ecoinforme foi à Serra da Mantiqueira, uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade, em plena Mata Atlântica, que abrange partes do estado de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Uma visita à formação das bacias hidrográficas que abastecem uma população de 14 milhões de pessoas, inclusive o sistema Cantareira.

O projeto Águas da Mantiqueira, apoiado pela Fundação Toyota do Brasil e pela Fundepag, Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agro Negócio, pretende recuperar as nascentes dessa riquíssima região, que reúne dez 10 bacias hidrográficas num total de 590 quilômetros de rios e riachos.

Em 2014, na crise hidríca, a cidade de Santo Antonio do Pinhal ficou sem água, toda região ficou sem água e isso levou as autoridades a entender o problema e buscar soluções, uma vez que aqui existe uma das maiores reservas de água mineral do planeta.

A região é tão rica que abriga 5% de toda a flora do planeta. Na época, a prefeitura foi obrigada a recorrer a caminhões pipa pra abastecer a população, e ai, iniciou-se um projeto de recuperação.

José Roberto Manna, coordenador técnico do projeto Águas da Mantiqueira. Foto: Johanes Duarte

Segundo José Roberto Manna, que é ambientalista, consultor e coordenador do Projeto Águas da Mantiqueira, essa situação acabou levando as pessoas a pensar mais no meio-ambiente, numa região em que cada hectare, ou seja, a cada 10 mil metros, existem 80 mil formas de vida, incluindo micro-organismos, insetos, todo tipo de animais e também uma rica flora. Nenhum outro bioma ou ecossistema é tão rico.

O projeto também tem como objetivo a educação. Os técnicos dizem que as crianças já estão com um conhecimento bastante amplo em relação ao meio ambiente, mas os adultos ainda não.

O objetivo do projeto é oferecer às prefeituras da região, especialmente de São José do Pinhal,  um planejamento territorial, de forma que as pessoas possam fazer uma ocupação do solo de forma inteligente e que contribua para o meio ambiente.

Foto: Rafael Munhoz

A região é montanhosa, com altitude de 700 a 3000 metros, você sobe e desce a cada momento pelas estradinhas de terra, em meio a araucárias, campos rasteiros, uma diversidade muito grande de vegetação: são 400 espécies de árvores em cada hectare, 35 espécies de peixes nos rios e 91% da área é permeável, o que significa que a água da chuva é absorvida pela terra e penetra, alimentando os lençóis freáticos, e isso mantém guardada a água e prolifera as nascentes.

José Roberto Mana falou da importância econômica dos serviços ambientais.

“Muita gente não tem essa percepção, mas as plantas, os animais, provêm aos seres humanos um capital natural. Um exemplo básico é a ação das abelhas. Elas são responsáveis pela maior parte da polinização das plantas. Se as abelhas não existissem, o homem poderia fazer esse trabalho, mas o custo disso seria muito alto. Imagine você fazer o trabalho de milhares, milhões de abelhas”.

Foto: Johanes Duarte

“O capital natural é mais rico do que todas as nações do mundo”, disse o professor José Roberto. “O valor econômico da biodiversidade é o maior lastro pra convencer o mundo moderno a proteger o meio-ambiente”. Ele citou uma reportagem da revista Nature que fez uma estimativa do valor dos ecosistemas:

“A revista comparou Produto Interno Bruto de todas as nações no mundo, que na época era de 18 trilhões de dólares, com o valor dos serviços ambientais de 17 biomas no mundo, que era bem maior: US$ 33 bilhões.