Terra do Fogo, 12 mil anos de história

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Ushuaia, palavra yamana, quer dizer Baía que mergulha no poente. A região começou a ser ocupada pelos índios fueguinos há 12.600 anos

A história da ocupação humana na Terra do Fogo – que tem sua capital em Ushuaia, remonta há 12.600 anos, quando a região começou a ser ocupada pelos índios fueguinos. Quando avistaram as primeiras caravelas, no início do século XVI, com os espanhois comandados por Fernão de Magalhães, em 1520, os índios habitavam há mais de 12 mil anos o extremo sul da América do Sul, reagiram acendendo fogueiras por toda parte, talvez uma forma de disseminar a notícia da presença dos invasores. Diz-se, também, que os indígenas costumavam acender fogueiras permanentes no inverno, inclusive nas embarcações que usam para a pesca e colheita de frutos do mar, formando pontos de fogo que pareciam boiar sobre as águas. Seja como for, foram essas fogueiras que levaram os espanhóis a chamarem o local de Terra do Fogo.

A viagem “Honda – Pra Lá do Fim do Mundo” segue riscando o mapa do extremo sul da América do Sul. A Terra do Fogo é um arquipélago formado pela Ilha Grande da Terra do Fogo e outras menores, como a ilha Navarino, onde está a pequena cidade de Puerto Williams, de 2,8 mil habitantes, pertencente ao Chile e o local habitado mais meridional do mundo. Fica a pouco mais de mil quilômetros do Continente Antártico e a 100 km de Ushuaia, ao norte do Canal de Beagle, em território argentino.

Região de instabilidade tectônica, mantém vulcões em atividade e sofre de abalos sísmicos. Como aqui é tudo mistério, também não se sabe ao certo de onde vieram os habitantes originários do extremo sul do continente. Os fueguinos seriam descendentes de migrantes da Ásia que chegaram à América há 40 mil anos, pelo Estreito de Bering, ou de navegadores provenientes da Austrália ou Oceania. Sabe, porém, que há seis mil anos os povos locais já construíam objetos de pedra e sambaquis, onde foram encontrados aglomerados de conchas e esqueletos de leões-marinhos e pingüins.

As tribos locais dedicavam-se à caça de animais terrestres: guanacos, roedores e raposas (os yahganes), enquanto os alacaluf eram canoeiros, especialistas na pesca. Alimentavam-se de carne de lobos marinhos, peixes, aves, colheita de moluscos e crustáceos.

Tinham em comum o fato de serem nômades, vestirem-se com indumentária semelhante, usavam mantas de peles de animais, por causa do frio, embora havia a crença de que, a alimentação de carne de lobo marinho  garantia as calorias para que eles pudessem andar nus sem sentir frio. E ocupavam a mesma região: de Ushuaia até o recortado litoral do Chile.

A região foi beneficiada com a colonização tardia, pois ninguém se interessou por colonizar essas frias terras do fim do mundo. No entanto, no fim do século 18, com a redução de oferta de alimento, iniciou-se a presença de grandes navegações de caça à baleias, além de expedições científicas, como a do capitão Fitz Roy, a bordo do Beagle, que descobriu o canal que leva o nome de navio.

A etnia dos Yámanas, que habitavam todo o extremo sul antes da chegada de Fernão de Magalhães, foi praticamente dizimada. Atualmente vivem alguns poucos descendentes deste grupo, em especial na cidade de Porto Williams.

(Com informações do acervo do Museu do Fim do Mundo)

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