As tartarugas protegidas de Maceió

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Instituto Biota desenvolve ações de preservação de tartarugas marinhas em Jatiúca

O Instituto Biota de Conservação é um pequeno núcleo de ativistas, moradores locais, pescadores, pesquisadores, professores e ambientalistas que se esforçam, com parcos recursos, para proteger a fauna e a flora e a conservação de mamíferos aquáticos, especialmente as tartarugas marinhas na região sul da APA Costa dos Corais, nos municípios alagoanos de Maceió, Paripueira e Barra de Santo Antônio.

Numa sede modesta, mas muito bem equipada e apoiada por voluntários e amantes da natureza, em apenas três anos o Instituto registrou um aumento de 155% no número de ninhos nas praias monitoradas.

Bruno Stefanis, diretor do Instituto Biota

Segundo Bruno Stefanis, diretor do Biota, a região tem grande potencial para ser uma das que mais recebem tartarugas para desova no Brasil. De acordo com os estudos é possível que em alguns anos o local tenha o maior número de desova de tartarugas por quilometro de praia do Atlântico Sul.

Só no ano passado foram registrados 114 ninhos em pouco mais de um quilômetro de praia, sendo que em cada ninho tem cerca de 120 ovos e 70% vingam. Mas de cada mil filhotes que nascem, um ou dois conseguem atingir a maturidade, pois além dos predadores naturais, eles são ameaçados pelas redes de pesca e anzóis: presas elas não conseguem subir à superfície para respirar e morrem asfixiadas.

O trânsito de veículos nas praias de desova destroem ninhos e luzes artificiais na areia desorientam os filhotes, que seguem para a direção oposta ao mar e se tornam presas fáceis. Isso sem falar da poluição dos oceanos, que levam as tartarugas à morte quando ingerem materiais plásticos. Como se vê, é uma luta intensa pela vida.

Nós participamos da soltura de tartarugas na praia de Jatiúca, em Maceió, junto ao pessoal do Instituto Biota, que quer fazer da cidade a Capital da Tartaruga, para apagar de uma vez a imagem que a região teve, outrora, quando mantinha como principal atividade nada menos do que uma fábrica de pende de tartaruga. Se isso é assustador para as novas gerações, saiba que era comum a oferta de pentes de tartaruga no comércio, assim como armações de óculos de tartaruga, que, a propósito, eram muito bem avaliados.

Todas as espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil estão ameaçadas de extinção, sendo que quatro delas desovam no litoral alagoano, daí a importância do trabalho de preservação e de educação ambiental desenvolvido pelo instituto. São a tartaruga de pente, a oliva, a cabeçuda e a verde.

O trabalho de educação com as crianças do lugar é invejável. Os pequenos já reconhecem o perigo de jogar na praia ou mesmo na rua uma tampa de garrafa de plástico, um grampo de cabelo, qualquer material que possa prejudicar as tartarugas: pensando ser um alimento, elas engolem o lixo e podem morrer.

O Instituto criou a campanha informativa Encalhou?, que divulga os telefones da ONG e difunde o uso de um aplicativo Biota Mar, pelo qual a população pode informar algum animal encalhado na região. Assim, foi formada uma rede de colaboradores importante para o mapeamento dos encalhes e de registro de espécies.

Desde 2011, ano da criação do projeto APA Costa dos Corais, as entidades locais parceiras da Fundação Toyota do Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Chico Mendes vêm garantindo a conservação, que abrange 413 mil hectares entre três municípios de Pernambuco e 10 de Alagoas, onde atua o Instituto Biota. Veja reportagem completa da Costa dos Corais