Salmão do Chile tem 3,8 mil vezes mais antibiótico

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– Comparação é com o pescado produzido na Noruega; esse exagero causa danos à saúde humana e ao meio ambiente

Quem consume salmão no Brasil está ingerindo grande quantidade de antibiótico, que pode criar bactérias capazes de resistir a medicamentos de uso comum no tratamento de doenças que afetam os humanos. A informação é da ONG Oceana, que atua na proteção e recuperação dos oceanos em escala global e está no Brasil desde julho de 2014.

Praticamente todo o salmão consumido no Brasil vem do Chile e segundo a Oceana, o Chile usa 660 gramas do produto por tonelada métrica (dados de 2005) enquanto os criadouros da Noruega, primeiro produtor mundial, usaram 0,17g.

Portanto, alerta diretora geral da Oceana no Brasil, Monica Peres, não podemos ter certeza de que estamos consumindo um produto saudável e inofensivo. Além disso, ao consumi-lo, alimentamos uma cadeia danosa ao meio-ambiente e aos oceanos.

São adicionados na criação antibióticos usados também por humanos, como a tetraciclina e a trimetoprima.

Há dez anos, em 2006, o Brasil comprou 12 mil toneladas de salmão do Chile; no ano passado foram 75 mil toneladas, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Toda a produção chilena é obtida em criadouros; os peixes são alimentados com ração, que tem também pigmentos para dar cor que os peixes selvagens têm, porque se alimentam de crustáceos. Sem a pigmentação do salmão de cativeiro seria cinza.