Falta de chuva ameaça abastecimento

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old metal water tap in dry surrounding

Especialista aposta no reúso da água para enfrentar novo período crítico

A última chuva em São Paulo ocorreu no dia 13 de junho, ou seja, há 17 dias, o que contribui para a queda do índice do Sistema Cantareira, responsável pela maior parte do abastecimento da cidade.

Para Fernando Pereira, diretor da concessionária de água e esgoto General Water, que atua na região metropolitana de São Paulo, a situação ativa o sinal de alerta para um novo período crítico, embora ele acredite que a situação possa ser diferente desta vez, em função do incremento do reuso da água, o que é fundamental para a redução de consumo e controle nos períodos de seca.

“O reúso de água de esgoto minimizaria os reflexos negativos para o cotidiano da população”, diz o engenheiro. Ele explica que a tecnologia para transformar o esgoto em água totalmente potável já existe e é acessível às empresas especializadas em saneamento. “Grandes projetos de reúso (potável ou não potável e direto ou indireto) já são realidade em diversos países, como Cingapur), EUA, Espanha e Namíbia.”

Ele destaca que indústrias, shopping centers e grandes centros corporativos já fazem o reúso, transformando o esgoto gerado em água reaproveitada para fins não potáveis (vasos sanitários, torres de resfriamento, processos industriais e irrigação, dentre outros usos). Segundo ele, há shoppings que têm 100% de independência hídrica, ou seja, com exceção da água usada para beber, todo o restante dos recursos é de reúso. A empresa implantou o sistema próprio de abastecimento, tratamento de efluentes e reúso no Shopping Iguatemi Campinas.

Numa metrópole como São Paulo, que tem uma disponibilidade hídrica de apenas 146 m³/hab/ano (10% do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde), esse tipo de sistema gera um grande benefício socioambiental.