Com a palavra, Amyr Klink

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Nesta entrevista exclusiva ao Portal ECOinforme, o navegador Amyr Klink fala da nossa aventura, o porquê de “Pra lá do fim do Mundo”, o preparo das pessoas e dos equipamentos, dicas para evitar cansaço de longas jornadas e para economizar combustível, tipo de alimentação recomendada. Conta um pouco da história da ocupação da Patagônia e fala como vamos colocar o HR-V e o WR-V no ponto mais austral do mundo.

Portal ECOinforme: Amyr, como é que está a expectativa para essa viagem, para depois do fim do mundo?
Amyr Klink: Eu tenho feito essa viagem todos os anos até o extremo sul da América do Sul, a região da Terra do Fogo, e é impressionante: a cada viagem, eu fico mais excitado e ansioso. É uma viagem extremamente agradável, onde a gente faz uma transição por vários tipos de vegetação e clima: primeiro do Sul do Brasil, depois pro Pampa argentino, depois aquelas longas planícies antes da Terra do Fogo, e de repente, a gente tem o choque da Cordilheira dos Andes. É uma viagem que exige planejamento, precisa. Não se pode cometer falha de condução, precisa cuidar do carro. É uma experiência muito bacana!

Portal ECOinforme: O que é preciso de um carro para uma aventura desse tipo?
Amyr Klink: Um viagem dessas, que chega a sete, oito mil quilômetros só de ida, eu não vejo o carro como um veículo, mas como uma máquina de mobilidade, que a gente deve conhecer bem e deve tratar com muito zelo! Normalmente na descida para o Sul a gente faz 1.300, 1.400 quilômetros por dia. Para isso é preciso ter o carro em perfeitas condições de manutenção. Um carro que a gente conheça e que trate com respeito, porque vamos enfrentar muitas situações difíceis, como a monotonia das retas, os ventos fortes do Sul, estradas de pedra sem acostamento, possivelmente neve e gelo…

Portal ECOinforme: E como evitar o cansaço, em viagens como essa, que, como você falou, tem dias em que vamos rodar mais de mil quilômetros? O que fazer para evitar o cansaço e fazer uma viagem segura?
Amyr Klink: Quando a gente viaja sozinho num veleiro, você tem uma dieta de sono muito árdua, onde não dá pra dormir mais que 50 minutos direto, às vezes 30 minutos apenas – depende das condições de trânsito, de navios, de gelo, mal tempo, essas coisas. E nas viagens de carro, eu procuro não andar rápido demais, andar dentro dos limites, quer dizer, viajar a 100 km por hora, porque assim você cansa menos, dá menos estresse. O estresse causa fadiga. É importante dormir bem, porque normalmente vamos pegar a estrada bem cedo, com o dia nascendo. No Sul do Continente é preciso tomar cuidado com a natureza, com os animais que cortam a estrada: tem o perigo dos guanacos, das lebres, dos coelhos em grande quantidade. Se você está a 120, 130 km/h não dá tempo de escapar de um guanaco: ele vem da estepe, da planície, ou de um conjunto de pedras e eles vem na mesma velocidade, sem saltar, eles passam por cima da cerca da rodovia. Por volta das seis horas da tarde, a gente começa a procurar um lugar pra dormir, e eu gosto de dormir cedo, eu acho que a gente tem que dormir muito bem, ter uma alimentação leve, não pode exagerar em nada. Aliás, pode exagerar no líquido. Outra coisa importante para manter a disposição numa pegada de longa distância é fazer paradas frequentes, a cada 120 quilômetros, 150 quilômetros.

Portal ECOinforme: Você tem experiência com alimentação muito grande, passou cem dias remando no Oceano Atlântico preparando sua própria comida, que levou desidratada…
Amyr Klink: É, mas na estrada a gente não vai poder por em prática isso
Joel: Mas você recomenda, por exemplo, comida seca no carro, pra evitar paradas?
Amyr: Não, eu acho que é importante a parada! Mesmo que você não esteja cansado, deve fazer uma parada, esticar as pernas, tomar um café, principalmente nas longas retas do sul da Argentina

Portal ECOinforme: As retas são um perigo também segurança, né?
Amyr Klink: É um perigo se você não for cuidadoso. A pista de asfalto na Argentina é mais estreita do que numa estrada brasileira, mas não tem buraco, a estrada é perfeita. As estradas brasileiras são extremamente mal construídas. Lá o asfalto é de excelente qualidade: não há acostamento, mas em todas as estradas, tem um recuo muito amplo, de 80 a 100 metros pra cada lado, uma boa área de escape.

Portal ECOinforme: Amyr, é preciso fazer algum preparo físico especial pra uma viagem dessa? Que tipo de preparo você faz?
Amyr Klink: Não é preciso fazer, mas é legal ter uma boa condição física, é legal estar saudável! Eu viajei com pessoas de vários tipos, gente muito jovem, minhas filhas, a Marina, um senhor de 70 anos. A idade não é o problema e nem é preciso um preparo físico especial, mas apenas ter uma boa condição física.

Portal ECOinforme: A Patagônia é um dos lugares mais bonitos do mundo, e nós vamos ter o prazer de passar por lá! E é um santuário ecológico!
Amyr Klink: A Patagônia é uma das regiões mais prestinas do mundo, ou seja, uma das regiões menos afetadas por contaminação industrial, poluição… No ano passado, eu fui várias vezes pra lá, e ai, eu conheci alguns guias lá na região de Torres del Paine, já na divisa com a Terra do Fogo, a parte mais ao Sul da Patagônia e mais próxima da Cordilheira dos Andes. É um cenário belíssimo. Essa região é muito procurada jovens israelenses que vão pra lá à procura de terras para o futuro, para o futuro da humanidade, para o dia em que houver um conflito atômico, esses jovens aprenderam na escola, que o lugar que será menos contaminado, em caso de uma tragédia global, será a região da Patagônia. Pela latitude, pelo fato de estar na parte do extremo sul, do hemisfério Sul, pelas condições de ventos oeste, ventos muito fortes de oeste, e eu achei isso muito interessante. É um lugar isolado, extremamente preservado, de fato um santuário e a gente vai adquirindo essa consciência ao longo da viagem.

Portal ECOinforme: Essa região, também, foi ocupada muito recentemente, historicamente falando. Talvez isso tenha contribuído pra que ela esteja até hoje preservada, ou a ocupação que foi bem feita?
Amyr Klink: Ela já tinha habitantes autóctones, que eram os índios patagônicos, os Onas e Yámanas, Alakalufes, Yagáns e Selk’nam. Eram quatro ou cinco etnias que, infelizmente, com a ocupação no século 19, foram dizimados. Havia fazendeiros, por exemplo, lá na região de Puntarenas, que pagavam uma libra, por orelha de índio. Esse é um lado muito triste. A ocupação proporcionou um período de riqueza, com a introdução do gado e das ovelhas, grandes fazendas, que prosperaram de maneira extremamente ruim, pois destruindo o meio ambiente. Já no século passado houve conflitos trabalhistas, porque muitos gaúchos foram trabalhar lá, depois vieram operários da Romênia e com a exploração da mão de obra imigrante, ampliaram-se os conflitos.

Portal ECOinforme: Apesar da conservação ambiental que existe hoje, existem sinais trágicos de poluição na região. O aquecimento global, por exemplo, não permite que as pessoas se exponham muito tempo ao sol
Amyr Klink: Eu acho que o próprio fato de ser uma região prístina e preservada, faz com que a gente identifique mais facilmente qualquer sinal de presença humana. Tem o lado argentino ali, a região de Rios Gallegos, que tem exploração de petróleo, em terra, mas, um fato interessante é que há 20 anos, quando a gente ia pra Antártida, passava pela Patagônia, Terra do Fogo e não sentia tanto a ação ultra-violeta, como a gente sente de uns anos pra cá. Você sente a deterioração do meio ambiente na pele.

Portal ECOinforme: O que nós podemos fazer pra realizar uma viagem sustentável, que é a nossa proposta!
Amyr Klink: Eu viajei mais de 40 vezes pra Antártida, com barcos de diversos tipos e cheguei a algumas conclusões interessantes. Mais de dois terços das viagens que fiz pra Antártida, eu fiz em barcos, veleiros movidos pelo vento, aí você pensa: puxa, que coisa linda, usando a energia da própria rotação da terra, nenhuma forma de propulsão mecânica, e não é verdade, um veleiro, de certa maneira…

Portal ECOinforme: O veleiro também polui?
Amyr Klink: Claro, porque o jogo de velas hoje, por causa da ação ultra-violeta, dura não mais do duas temporadas e um conjunto de velas para o “Paraty II”, pesa quase uma tonelada de tecido sintético, que vira lixo! Curiosamente, eu descobri que a gente indo à motor (hoje a gente tem motores eficientes e sistemas mecânicos de baixo consumo, de baixo impacto), por incrível que pareça, uma viagem à motor, você deixa uma “pegada” menor, se usar com parcimônia!
Hoje a gente tem veículos extraordinários. Imagina, eu andava com uma Veraneio com um bujão de gás atrás, um carro que fazia quatro quilômetros por litro, queimava óleo e hoje, a gente tem veículos extremamente eficientes e econômicos.
Além disso, não pode jogar lixo na estrada, deve trazer o lixo de volta pra casa. Certa vez uma menina que viajou com a gente falou: onde eu posso jogar o lixo? O guia respondeu: você vai levar o lixo pro seu país, de onde você trouxe, porque o próximo depósito de lixo está à 600 quilômetros daqui.
Caiu um drone de um pessoal que estava fazendo um documentário e o pessoal reclamava: “Ah, que pena! Perdemos três mil dólares!” O guia, que é da etnia Yágans, falou: eu não estou preocupado com seus três mil dólares e nem com as imagens que você perdeu… Você volta o ano que vem aqui, você vai ver a Lua passando entre as Torres del Paine… Eu estou preocupado com a bateria de íon-lítio que você largou aqui e vai ficar aqui um século contaminando a nossa região, nós vamos achar esse drone!”

Portal ECOinforme: Existe essa consciência ambiental do pessoal…
Amyr Klink: Ela é natural, ela é autêntica Eles têm consciência e são exigentes. Eles criticam até que o excesso de caminhantes, que, com essas roupas modernas, acabam deixando contaminantes impermeabilizantes na vegetação! Aconteceu uma tragédia terrível no lado chileno, perto de Coyhaique, aconteceu também lá no Parque de Torres del Paine, há uns anos atrás, um jovem de Israel foi descuidadoso com o fogo e houve um processo de incêndio, que durou anos, uma grande parte do Parque foi incendiada. Foi um desastre.

Veículos e energia
Portal ECOinforme: Se um veleiro pode poluir mais do que um barco à motor, como você falou, fazendo uma relação com o automóvel. Você acha que chegou a vez do carro elétrico? Afinal, a emissão é zero, mas a captação da energia gera impacto.
Amyr Klink: Exatamente!

Portal ECOinforme: Talvez a solução fosse o carro híbrido? Qual é a melhor alternativa?
Amyr Klink: Eu acho que as duas opções são válidas, além de outras, depende das matrizes energéticas de cada país. A mudança da matriz de mobilidade é um caminho irreversível, mas tem várias soluções interessantes. Eu ainda acredito que o hidrôgenio será viável, no dia em que a gente resolver o custo de armazenamento e transporte.

Portal ECOinforme: Célula de combustível?
Amyr Klink: É, célula de combustível em alguns casos, eu acho que até mesmo umas baterias primitivas que a gente tem, hoje ultrapassadas, nos veículos novos, porque, um veículo à combustão, hoje, é uma máquina que gera muita energia, então, não há nenhum convite para que a tecnologia da bateria, evolua! A tecnologia das baterias de hoje, é a mesma de cem anos atrás! Com o advento dos equipamentos eletrônicos, dos veículos modernos, elétricos e híbridos, , a gente está tendo um estímulo pra pôr escala, e viabilizar soluções mais eficientes e sofisticadas, que ainda são caras! Então, eu tenho muita fé também, nos híbridos, nos veículos elétricos puros, mas também tenho esperança de outras formas de propulsão, talvez vapor, ou veículo à ar comprimido. A ida para o fim do mundo e a volta dá uns 13, 14 mil km. Meu sonho é refazer essa viagem, talvez noano que vem, com um carroi elétrico! Um grande trauma ainda, desafio do veículo elétrico, é a estória da autonomia, eu sinto muito, mas menos de 300 quilômetros, não quero nem ver na minha frente, só que agora, várias marcas já têm soluções, pra 400, 600 quilômetros, e ai, eu acho que a gente começa a entrar numa nova era!

Portal ECOinforme: Mas mesmo numa viagem longa, você pode dar uma parada a cada 300 quilômetros para abastecimento …
Amyr Klink: É, com essa história dos híbridos e essa evolução rápida das baterias, pode ser. Hoje, as baterias novas já têm possibilidade de uma recarga de 80% em 20 minutos. Esses 20 minutos, são o que eles negociaram com estacionamentos, lanchonetes, “drug stores” e não sei o que, pra que eles patrocinassem o custo dessa energia! Tenho amigos nos Estados Unidos que ficam brincando de ir do México para o Canadá, do Atlântico ao Pacífico, sem gastar um centavo, num carro elétrico, fazendo essas recargas, e a competição é quem atravessa “Coast to Coast”, com menos dinheiro no bolso, sem usar cartão, nem nada… Isso eu acho interessante, e isso, vai ser uma realidade!

Portal ECOinforme: Bom, mas não é uma realidade hoje, vamos de carros modernos, econômicos, mas à combustão, tanto que obtivemos o selo Carbon free porque vamos compensar as emissões de CO2 com a plantação de 47 árvores na Mata Atlântica. Vamos com dois Honda HR-V e dois Honda WR-V. O que fazer pra gente economizar o máximo, sabendo que vamos usar álcool no Brasil, mas no Uruguai, Argentina e Chile, vamos usar gasolina. Quais as dicas que você dá para a economia de combustível.
Amyr Klink: Bom, esses dois modelos da Honda, são pequenos SUV’s, são carros extremamente confortáveis, são carros relativamente acessíveis, se a gente considerar o Custo Brasil, apesar da carga tributária, são veículos modernos e muito eficientes no consumo de combustível. Uma parte dessa eficiência, depende também de nós, condutores, quer dizer, da maneira cuidadosa de conduzir. Uma das coisas mais legais pra gente ser eficiente é mensurar. Por exemplo: eu queria que a torneira tivesse um painel digital, dizendo não quantos litros eu estou gastando por hora, quanto dinheiro eu estou pagando para usar essa água, essa energia. Hoje, os carros têm isso, então, tanto o HRV quanto o WRV têm indicador de consumo, que ajuda bastante o motorista a ser mais eficiente. E a gente, também vai ser cauteloso, descobrir qual a velocidade mais econômica, em função do vento e da distância percorrida em cada dia e também em função da dificuldade que a gente vai ter na Patâgonia, na Terra do Fogo, onde a distância entre um posto de abastecimento e outro é muito grande. Então, você tem que ter cuidado, o carro tem que ter boa autonomia, às vezes, tem trechos lá com 400 quilômetros, 500, sem posto.

Portal ECOinforme: Quer dizer, vai gter hora que a economia é uma necessidade de sobrevivência
Amyr Klink: È! Na Rota 40, tem trechos maiores ainda sem ter onde reabastecer, e às vezes, você chega lá e o posto está fechado. Então, a gente vai ter que ser cuidadoso, mas o que é legal é que essa é uma viagem que qualquer pessoa pode fazer. Eu acho que em função do nível tecnológico dos carros hoje, do conforto que eles proporcionam, dos recursos que eles colocam pro condutor e pros passageiros, é uma viagem que está ao alcance de qualquer pessoa, sem desgaste físico, sem correr risco, sem problemas.

Portal ECOinforme: Agora Amyr, por que: “Pra lá do Fim do Mundo”?
Amyr Klink: Bom, essa é uma brincadeira que a gente testemunha todos os anos. Eu tenho esse privilégio, de chegar lá de barco, mas carro é raridade. Em algumas estradas você passa horas sem ver um veículo, mas a gente encontra muita bicicletas gente que vai pedalando… Aliás, fazendo um parênteses, outro sonho que eu tenho, era juntar as “antas” que governam Argentina, Chile e Brasil, e fazer um projeto de uma Ciclovia Panamericana.
A idéia é usar a área de escape que existe em toda a Rota 40 e fazer uma ciclovia paralela, trans-continental, uma ciclovia longa, seria uma rota turística maravilhosa! Resumindo. Mas voltando à pergunta: o destino desse turistas e viajantes é chegar no Fim do Mundo, que tradicionalmente é a cidade de Ushuaia. Acontece, que ao Sul de Ushuaia, do canal de Beagle, tem a Ilha Navarino, onde tem uma comunidade militar chilena e uma comunidade que se chama: Comunidade de Cabo de Hornos, que é Puerto Williams, e existe estrada lá! É pra lá que nós vamos, “pra lá do fim do mundo”.

Portal ECOinforme: Nós vamos colocar o WR-V e o HR-V no Porto mais austral da América? Do mundo talvez, ou não?
Amyr Klink: Do mundo, é! A menos que a gente vá pra Antártica! O único lugar mais austral, onde um veículo já foi, é o continente da Antártica! Então, acho que é uma viagem interessante, é interessante também o modal de transporte que os chilenos usam lá, porque eles não conseguiram fazer uma integração rodoviária… É um país, é uma tripa cheia de interrupções, os campos de gelo no norte e no sul, aqueles milhares de fiórdes, aquele rendilhado e entre-cortado, entre a Cordilheira dos Andes, brigando com o Pacífico, e isso gera um problema na construção de estradas! Então, pra você percorrer todo o Chile, algumas vezes você tem que entrar pro lado chileno com um veículo, e algumas vezes tem que atravessar de barco.

Farta gastronomia
Portal ECOinforme: Amyr, e em relação a alimentação? Não de sobrevivência, mas o prazer da gastronomia que nós vamos encontrar, as delícias que começam no Sul do Brasil e vão até os maravilhosos frutos do mar do extremo sul do continente
Amyr Klink: Nós vamos rasgar o Sul do Brasil, que é uma região que eu gosto muito, que tem… Eu sou absolutamente viciado em frutos do mar, e a gente vai passar por Santa Catarina, que acabou virando o principal pólo de produção de ostras do Brasil, tem outros crustáceos também que tem uma relevância econômica grande! Ai, a gente entra no Uruguai, que é uma gastronomia interessante, na Argentina, come-se muito bem, tem, é claro, a tradição das carnes, dos embutidos e dos miúdos, mas também as frutas, e quando a gente chega na região Patâgonia tem de novo a tradição de frutos do mar. São centenas de tipos de mariscos, é um paraíso dos glutões! É uma viagem extremamente interessante no aspecto gastronômico.