Buraco de rua em Santos gera perdas em Houston

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Equipamento que identifica inclinações e tombamentos no transporte

A história é verídica e muito mais comum do que se imagina. Há alguns anos, uma multinacional tentava descobrir porque algumas pás eólicas que importava do Brasil não chegavam em perfeitas condições ao seu destino, em Houston, nos Estados Unidos. A operação logística estava inteiramente de acordo com as normas: o produto saía com qualidade da fábrica, no interior de São Paulo, era movimentado e acondicionado da forma correta e transportado com o máximo cuidado até o porto de Santos, com o veículo em baixa velocidade para evitar trepidações. Isso porque, ao contrário do que pode parecer pelo tamanho da peça, uma pá eólica é confeccionada com materiais muito sensíveis e um leve esbarrão pode danificar sua estrutura e seu funcionamento.

O importador decidiu aplicar um registrador de impactos em cada pá. Trata-se de um equipamento que grava as condições em que a carga é transportada, ao longo de todo o seu trajeto. E foi ele quem apontou o vilão da história: um simples buraco de rua na cidade de Santos! Toda vez que a carreta passava pelo buraco, aparentemente inofensivo, a pequena trepidação era suficiente para alterar o desempenho do produto recebido nos Estados Unidos. Buraco tapado, problema resolvido.

Este é apenas um dos muitos casos que ocorrem diariamente e que geram perdas significativas para as empresas. E também representam riscos para as pessoas que consomem, sem perceber, produtos em más condições, quando estes escapam das normas recomendadas pelos fabricantes durante o percurso até o ponto de venda.

Evidentemente, as indústrias e os operadores logísticos procuram evitar perdas de diversas formas: usando desde embalagens especiais até caminhões com temperaturas controladas. Porém, basta um descuido humano ou um ponto falho a qualquer momento e toda essa segurança pode ir por água abaixo. Por isso, em alguns segmentos, é fundamental monitorar as condições em que a carga é movimentada e transportada ao longo de toda a cadeia logística.

É o caso dos setores de alimentos, farmacêutico e de eletroeletrônicos. Por exemplo, uma caixa de verduras pode ser acondicionada e transportada na temperatura adequada, mas alguns instantes fora dessas condições, durante as transferências entre um ambiente e outro, podem ser suficientes para que se forme uma cultura de contaminação. Essa falha só será descoberta se o produto contar com um indicador ou um registrador de temperatura. A diferença entre os dois equipamentos: o indicador mostra se a mercadoria ficou exposta a uma temperatura inadequada em algum momento; e o registrado aponta qual foi esse momento.

O mesmo acontece com bolsas de sangue ou com vacinas, que podem perder sua eficácia se não forem mantidas o tempo todo nas condições ideais. Já na cadeia de eletrodomésticos, as redes de varejo não aceitam comercializar um produto que chegue com um arranhão provocado por um movimento brusco. Esse é um caso para um registrador de impacto identificar em que momento ocorreu e quem provocou o dano. E assim é possível corrigir o manuseio e estabelecer um procedimento ideal.

O mesmo vale para os fabricantes de geradores de energia, transformadores, caixas automáticos de bancos e até turbinas. Esse monitoramento de impactos é importante para assegurar o pleno funcionamento dos seus componentes.

E na chamada cadeia do frio, os indicadores e registradores de temperatura e umidade são até mais eficientes que os aparelhos de radiofrequência, pelos seguintes motivos: são resistentes a baixas temperaturas, porque não utilizam baterias; custam muito menos e registram as variações ambientais ao longo de todo o ciclo de armazenagem, movimentação e transporte.

Em todas essas situações, porém, o fator humano é o crucial. “As pessoas que atuam ao longo da cadeia logística precisam estar muito bem treinadas e conscientes do seu papel para que essas pequenas falhas deixem de gerar grandes perdas”, diz Afonso Moreira, diretor da AHM Solution, que faz esses treinamentos, depois de aplicar os indicadores e registradores de impactos, temperatura, umidade ou inclinação, que mostram onde estão os erros e o que precisa ser corrigido. A empresa é representante na América do Sul de equipamentos exclusivos para essas finalidades.

Texto da AHM Solution